Bons livros...

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Re: Bons livros...

Mensagem por kgbatista em Sab 20 Ago 2011 - 17:03

Livia escreveu:Um livro que recomendo, taí um fragmento muito lindo mas diz muita coisa.
Talvez algum dia de sua existência você olhou para o horizonte
buscando
encontrar respostas aos problemas de sua vida e não encontrou as
soluções que buscava, mergulhou em seus pensamentos tentando se
encontrar e nada, apenas um vazio e o barulho silencioso dos escombros
da solidão da alma, percebe que os olhos choram e não sabe porque que
sente uma dor á explodir no peito e não tem o que fazer para conter
tamanha dor, a noite chega e novamente sente a dor do abandono, esta
rodeado de pessoas e se senti sozinho essa é a maior de todas as
solidões. A madrugada chega e o sono não vem, os pensamentos voam
desordenadamente e não atingiu conclusão alguma, mais um dia amanhece e
se foi outra noite de angustia. Quando se olha no espelho encontra-se
com um derrotado, desanimado e desmotivado para a vida, sem forças para
continuar a lutar e enfrentar os problemas impostos pelas situações
delicadas que se deparou na sua existência e novamente sente brotar mais
um lagrima que vem acompanhada de uma dor maior em seu peito, sente o
coração se derramando em lagrimas. Pela manhã tem dificuldades de ouvir
os cânticos dos pássaros, a beleza do raiar do sol, contemplar as lindas
flores dos jardins. Essas são crises do coração e da alma que quase
todos temos que passar para obter os grandes aprendizados da vida
(Particulas do livro experiências de um gigante.. de Nilson ferreira)

De facto é um óptimo livro. Agradeço pela sua colaboração construtiva no grupo. Continue assim !
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Re: Bons livros...

Mensagem por Livia em Sex 19 Ago 2011 - 13:18

Um livro que recomendo, taí um fragmento muito lindo mas diz muita coisa.
Talvez algum dia de sua existência você olhou para o horizonte
buscando
encontrar respostas aos problemas de sua vida e não encontrou as
soluções que buscava, mergulhou em seus pensamentos tentando se
encontrar e nada, apenas um vazio e o barulho silencioso dos escombros
da solidão da alma, percebe que os olhos choram e não sabe porque que
sente uma dor á explodir no peito e não tem o que fazer para conter
tamanha dor, a noite chega e novamente sente a dor do abandono, esta
rodeado de pessoas e se senti sozinho essa é a maior de todas as
solidões. A madrugada chega e o sono não vem, os pensamentos voam
desordenadamente e não atingiu conclusão alguma, mais um dia amanhece e
se foi outra noite de angustia. Quando se olha no espelho encontra-se
com um derrotado, desanimado e desmotivado para a vida, sem forças para
continuar a lutar e enfrentar os problemas impostos pelas situações
delicadas que se deparou na sua existência e novamente sente brotar mais
um lagrima que vem acompanhada de uma dor maior em seu peito, sente o
coração se derramando em lagrimas. Pela manhã tem dificuldades de ouvir
os cânticos dos pássaros, a beleza do raiar do sol, contemplar as lindas
flores dos jardins. Essas são crises do coração e da alma que quase
todos temos que passar para obter os grandes aprendizados da vida
(Particulas do livro experiências de um gigante.. de Nilson ferreira)
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Bons livros...

Mensagem por kgbatista em Seg 15 Ago 2011 - 0:27

Um dos maiores escritores do país e mais respeitados quando o assunto é homossexualidade, o paulista João Silvério Trevisan é mestre na arte de retratar o amor e os sentimentos. Não foi de graça que Caio Fernando Abreu chegou a escrever que a literatura deste autor ficava isolada, vários pontos acima da média nacional. Jornalista, dramaturgo e roteirista já ganhou três Jabuti e é dono de uma vasta obra.

Publicado pela primeira vez em 1983, seu livro "Em Nome do Desejo" (Record, 2001) apresenta a história de um amor adolescente gay que se desenrola em um conservador seminário católico. A trama é desenvolvida basicamente na forma de perguntas e respostas nas quais os narradores (ou seria um narrador questionando a si mesmo?) reconstituem a lembrança da infância.

Quem conta estas memórias é o já crescido João, ou Tiquinho, apelido de quando era um garoto mirrado de 13 anos. Ele relata desde sua chegada ao seminário até seu insólito caso amoroso com Abel, um rapaz um pouco mais velho que entra no curso alguns anos depois dele.

Temas como fé, descoberta da sexualidade, prazeres, masturbação, o amor de Deus e a castidade são resgatados à medida que a narrativa reconstrói o dia a dia dos seminaristas: a separação entre maiores e menores, a disputa das crianças pela preferência de dois padres, os jogos de futebol e a perseguição aos "maricas".

Leia trecho de "Em Nome do Desejo".

*
Tiquinho sonhava com Abel?
- Sonhava de olhos abertos. Imaginava-se perdido na floresta, rodeado por bichos e cobras enormes. Então Abel aparecia pelado como Tarzã e o salvava. Em sinal de gratidão, Tiquinho dava-lhe um beijo muito puro. E suspirava com tal convicção que seus olhos chegavam a fechar, como os de uma virgenzinha.

Tiquinho também fazia presentes anônimos a Abel?
- Não contente com os presentes diretos, Tiquinho ora enfiava uma tangerina debaixo do prato de Abel, no refeitório. Ora deixava-lhe uma maçã escondida sob as camisas, em seu armário. Ora punha dentro de sua carteira, no salão de estudos, um santinho especialmente bonito. Mas havia também balas dentro de seus sapatos, chuteira e chinelos. Abel não reclamava. Recebia Tiquinho em silêncio.

E o calção de Abel, como foi usado?
- O calção era aquele presenteado a Abel e que, certa noite, Tiquinho apanhou de volta, já devidamente abençoado e sobejamente empapado pelo delicioso suor das virilhas de Abel, que Tiquinho aspirou de olhos fechados, emitindo ganidinhos de prazer, antes de passar a vesti-lo, todas as noites, sob o pijama. Era sua maneira de dormir com Abel.

Como Tiquinho sentiu o suor de Abel?
- Como um visgo para o seu coração. Era assim que Tiquinho sentia o cheiro forte do suor de Abel, que inicialmente deixava grandes manchas molhadas na camisa (nos sovacos ou não) e, depois de sedimentado, adquiria um tom ligeiramente amarelo, que guardava na cor a essência do perfume de Abel. Tiquinho sentia de longe o seu cheiro e era pelo nariz que seu coração se abria e se ia entregando irresistivelmente. Gostava de aproximar-se de Abel após um jogo de futebol ou durante o trabalho obrigatório das 12:30. Suas narinas então se inflavam quase até se rasgarem, e queriam se rasgar para que penetrasse todo o perfume do seu jardineiro. Tiquinho sonhava banhar-se com o suor de Abel.

Não se poderia chamar isso de estado de amor obsessivo?
- Não. Simplesmente porque não existe amor que não seja obsessão. Se não, como definir e esclarecer os motivos pelos quais alguém é atraído especificamente por alguém e o ama apaixonadamente? Por que, tantas vezes, o amor é uma ponte de mão única, onde o sentimento entregue não é retribuído? E por que, ao contrário, é algumas vezes misteriosamente retribuído e a química da felicidade funciona? Como explicar essas incógnitas senão pela permanente obsessão de romper os limites entre o eu e o outro? O que nos move em direção à absoluta gratuidade de amar e ser amado? Seria a procura da outra parte que nos falta, metafisicamente, porque nascemos apenas metade, como diria a mitologia grega? Seria a busca da mãe perdida, como sugeririam os psicanalistas? Ou uma tentativa de romper a indiferença do mundo e reconciliar o que somos com o que não somos, conforme diriam certos filósofos? Seria o amor uma tentativa de nos compreendermos através do espelho do outro? Ou uma deslavada tendência ao absurdo, um mistério puro e deliciosamente elaborado pela natureza, a fim de tornar mais definitivo, mais irrefreável e mais perturbador o impulso para fora de nós, impondo a desordem ao mundo e aos espíritos amorosos? Então, o amor seria uma grande brincadeira da natureza, entediada com a ordem da vida, e nós viveríamos uma molecagem básica, quando amássemos. Se, nesse terreno, ninguém entende nada e só existem hipóteses, como acusar Tiquinho de obsessivo? Tiquinho estava simplesmente interpretando o mistério do amor. Da maneira mais genuína. Num movimento de generosidade que, em sua vida futura, iria se reduzir cada vez mais, à medida que fosse descobrindo certas defesas e fórmulas. Naquele instante, Tiquinho era um bem-aventurado. Iniciava-se em sua vida uma fase de privilégio cintilante, onde se deflagravam forças inexplicadas por nenhum cientista e nem mesmo por ele, Tiquinho, que não se cansava de examinar com acuidade a pele, as roupas usadas, os restos de cabelos e as manchas úmidas da passagem de Abel pelas roupas usadas, que eram expressões concretas da relação entre Abel e o mundo. Por não achar explicações suficientes, Tiquinho mergulhava na obsessão, e aí ficava como um disco enroscado. Inaugurava ali sua experiência no delírio, deixando-se possuir pelo amor como por Deus - ou demônio, dependendo do ponto de vista e das circunstâncias. Sem dúvida, aquele Tiquinho é hoje lembrado com saudade. E inveja mesmo. Eis aqui a defesa da obsessão de Tiquinho. Pois, no mundo, delirar é preciso.
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